A pessoalidade digital versus o turn over nas empresas

No final de 2013 surgiu uma pedrinha no sapato de muitos profissionais de social média por aí: o Ipsos/Reuters divulgou que no mundo, 85% dos usuários da internet enviam e recebem e-mails contra 62% dos usuários que interagem em redes sociais. Porém, a notícia nutre a defesa de quem trabalha com e-mails marketings e newletters, mas mesmo assim, este é um campo que tem sofrido com o turn over, que nada mais é que alta rotatividade de profissionais nas empresas.

Mas o que tem a ver o turn over com o relacionamento via e-mail? Se você pensar na pessoalidade adquirida através dos anos nas contas de e-mails corporativos, tenha certeza que o turn over pode ser o motivo de muitos fins de relacionamento online. Enquanto as redes sociais, em grande parte, dão conta do relacionamento entre amigos, as contas de e-mails, muitas vezes, são responsáveis pelos contatos empresariais.

Hoje, para o compromisso profissional somos muito mais adeptos aos e-mails do que para relacionamento pessoal, porém, sem perder aquele toque de pessoalidade, usando endereços personalizados como josesdasilva@ e mariasdossantos@ que, por políticas de humanização corporativa, foram aos poucos aposentando os genéricos contato@, gerencia@, entre tantos outros.

É então que muitos clientes me perguntam: por que isto pode ser ruim? Se estivéssemos em décadas passadas diria que em nada, mas recém saímos de 2013 e em meados do ano que passou a Consultoria Robert Half divulgou uma pesquisa falando do turn over empresarial no mundo. Se lá fora a rotatividade teve crescimento médio de 38% nas empresas, no Brasil o fenômeno chegou à casa dos 82%.

A tendência da permanência mínima dos profissionais nas empresas está cada vez maior e o cancelamento de e-mails personalizados também. Com isto contatos e relacionamentos se perdem em menos de dois anos, em uma média. Você já chegou a contabilizar o número considerável de e-mails que você tem no mailing e que deixam de existir em pouco tempo?

Quando um José da Silva deixa a empresa, o seu substituto vai ganhar o e-mail com o nome próprio e junto disto o trabalho de restabelecer contatos. Uma verdadeira perda de tempo para ele, para os colegas, além dos clientes e fornecedores, por exemplo.

Esta perda de tempo foi originada junto das arcaicas diretrizes corporativas criadas no início deste século, quando a valorização profissional se baseava em ter um e-mail com o próprio nome nas empresas em que as pessoas sonhavam com o plano de carreira de longo prazo até à aposentadoria. A outra parte surgiu pelo ego dos próprios profissionais que não querem se sujeitar ao genérico que o iguala a outro profissional, mas passar a imprimir a sua marca pessoal, quando na verdade sua função é manter a marca e reputação da empresa.

Muitas empresas já perceberam esse retrabalho no relacionamento online devido ao turn over e já deixaram de lado os e-mails personalizados garantindo manutenção de contatos. Nomes próprios estão aparecendo somente nas assinaturas, afinal o e-mail empresarial é uma cessão. Saem os josesdasilva@ e voltam os cargos@, mesmo que seja preciso uma numeração, por exemplo, devido à quantidade de profissionais no mesmo setor ou na mesma função. Ficam salvos aí, endereços com nomes pessoais para os sócios ou diretores e só.

Iuri Kindler elabora projetos em comunicação organizacional com foco em pequenas empresas e empreendedores iniciantes.

 

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