Erroneamente, autismo está entre os principais pretextos dos grupos contrários às vacinas

Brasil e outros países estão vivendo hoje o que foi uma grande angústia do passado: os surtos de doenças que já estavam erradicadas são uma realidade, principalmente pela baixa cobertura vacinal. Em território brasileiro as vacinações contra sarampo e polio não alcançaram as metas e grupos contrários às vacinações estão associando as imunizações ao autismo, sem qualquer base científica.
“Mães e pais estão deixando de proteger seus filhos baseados em fake news. São inúmeros os artigos [se é que podemos chamar de artigos] circulando na internet, nas mais diversas línguas, realizando movimentos contra as vacinas, porém sem qualquer base científica ou acompanhado de qualquer estudo. O mais inadmissível é que em muitos casos, as vacinas estão sendo associadas à causa do autismo. O transtorno do espectro autista – TEA – já é tão estigmatizado, a população autista já luta contra tantos preconceitos e agora são alvos de movimentos de pais que burlam os órgãos de saúde, evitando as vacinas porque não querem filhos autistas, quando na verdade o autismo surge a partir das predisposições genéticas” detalha a fonoaudióloga, especialista no diagnóstico do autismo, Ana Paula Müller.

Surtos de sarampo já foram registrados no Amazonas e Roraima e casos isolados em outros 5 estados. Na Europa, neste ano, já foram registrados mais de 7 mil casos de pessoas contaminadas pelo sarampo. Diferente do século passado, o mundo globalizado tem muito mais pessoas indo e vindo de países vizinhos e diferentes continentes o tempo todo e isso acaba se tornando um agravante com a não imunização.

A fonoaudióloga compara a desinformação dos pais à ingenuidade das próprias crianças. “Pais e mães viram de perto o perigo da internet, com o caso Baleia Azul, um jogo maldoso viralizado na rede, gerando casos de crianças com automutilação e até se suicidando. Como podem agora estes pais se deixarem enganar por conteúdos falsos colocando em risco a vida destas crianças? Não se pode simplesmente não querer vacinar seu filho, por achar ele saudável, e o tornar possível transmissor de doenças para os filhos dos vizinhos, por exemplo”.

Órgãos de saúde já monitoram estes grupos que disseminam falsos dados sobre as vacinas e estão reforçando campanhas de vacinação. O Brasil, sendo referência no sistema de imunização, já percebeu a queda das campanhas. Em 2017 a adesão da vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola foi de apenas 76%, quando a meta é de 95%. Vale lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) torna obrigatória as vacinações recomendadas pelos órgãos sanitários, podendo os pais serem acionados civil e penalmente.

Texto: Iuri Kindler – Assessoria de Imprensa
Imagem: Ana Paula Müller / Divulgação