A Moda brasileira cobiçada lá fora, deixada de lado pelo Governo

imagePara quem acha que em nada tem a ver moda e governo, participar do talk show do FFW Fashion Tour, mediado por Paulo Borges, diretor-criativo do SPFW, seria uma verdadeira aula para mudar este errôneo pensamento.

O lindo projeto, que em 2015 faz parte da agenda oficial de eventos que comemoram os 20 anos do São Paulo Fashion Week, teve Blumenau como a primeira cidade do roteiro. A convite, fomos lá conferir e, assim como nos outros anos, a noite foi de muita informação. E desta vez a atual fase da governança brasileira também entrou na roda.

Além de trazer ao solo “tupico-germânico”, ícones da moda brasileira, como Lino Villaventura e Isabela Capeto, o mediador do papo, Paulo Borges é sempre um destaque.

De uma conversa leve sobre o início e desenvolvimento das carreiras de Villaventura e Capeto, uma das perguntas do público nos deixou a par das opiniões de Borges sobre a atual (e desde sempre) conjuntura da moda no Brasil.

Abaixo você acompanha estas opiniões, sem papas na língua.

Desinteresse do Governo pela Moda
“Hoje não é a gente da moda que reclama. É o Brasil inteiro que reclama. A Moda nunca teve um plano de governo, sendo a terceira maior indústria do país e a que mais contrata mão de obra feminina, nunca teve plano como o agronegócio, a aviação, a tecnologia. Tudo isso se desenvolveu maravilhosamente bem porque houve interesse público de longo prazo”.

Atraso em relação a outros sul-americanos
“A Moda nunca teve esse interesse ao governo nem na questão tributária ou logística para melhorar competitividade. Exemplifico a Colômbia, que até 10 anos atrás era conhecida como a maior produtora de cocaína e tráfego de drogas do mundo, que se transformou com a moda e hoje tem acordo bilateral com os EUA de moda. O Peru tem acordo bilateral de produção e a gente não tem. Então, não tem Governo. Aliás, hoje todo mundo entende que não têm Governo neste país”.

Mudança no sistema
“Mas eu ainda acho que temos que trabalhar independente do governo. Aliás, nós sempre trabalhamos muito independente ao governo. Pois a não ser que mude tudo, (e tomara que mude) o sistema como um todo faliu, pois não tem partido melhor ou pior, não tem político melhor ou pior: estão todos nivelados por baixo. Os discursos não tem aderência. Não existe mais crença na política e isto é muito grave. Mas não somos únicos, o sistema de todo o mundo está falido ou falindo e é uma mudança que começa, mas muito complexa”.

Competitividade inexistente
Na questão de preço, a moda brasileira é linda e o mundo deseja, mas só conseguiremos vender mais se a competitividade melhorar. Somos extremamente criativos, mas também extremamente não competitivos. E não é responsabilidade das marcas. Isto é culpa do processo burocrático, deficitário e corruptivo. Moda é inovação. Diferente do minério, por exemplo, ou do processamento da carne de frango, a cada seis meses a moda muda. E se falhamos na inovação da base, na logística e competitividade nossa moda não vai chegar nas grandes vitrines do mundo”.

Viu só?! E se não fosse pelo curto tempo, o papo ia longe. Pra você que não pode estar presente no talk, fica triste não: aproveita as duas exposições abertas ao público no Shopping Park Europeu, “Sonhando Acordado” e a inédita “20 Anos de Moda Brasileira”, com fotos, vídeos e looks icônicos que celebram o legado do SPFW. Ambas permanecem até o dia o dia 6 de setembro, uma frente à Zara e outra em frente à Memovie, no SPE.

Conteúdo: Iuri Kindler
Imagem Site FFW

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