Por Médico Veterinário Carlos Sansão: É muito comum eu ouvir dos tutores que dar um pedacinho da própria comida ao pet é uma forma de demonstrar carinho. A intenção é das melhores, mas nem tudo o que faz bem para nós é seguro para cães e gatos.
Alimentos preparados com alho, cebola, excesso de sal, gordura e outros temperos podem causar desde desconfortos digestivos até intoxicações graves. Por isso, a primeira regra é simples: comida do nosso prato não deve fazer parte da rotina dos pets.
Isso não significa que eles precisem viver exclusivamente de ração seca. Alguns alimentos naturais podem, sim, complementar a alimentação como petiscos saudáveis. Cenoura, abóbora, chuchu, maçã sem sementes e banana, por exemplo, podem ser oferecidos em pequenas quantidades, sempre respeitando as características de cada animal e a orientação do médico-veterinário. Eles fornecem fibras, vitaminas e antioxidantes, além de enriquecerem a rotina alimentar.
O cuidado está no equilíbrio. Esses alimentos não substituem uma ração de boa qualidade nem devem representar uma parte significativa da dieta. Quando oferecidos em excesso, até alimentos considerados saudáveis podem favorecer ganho de peso, desequilíbrios nutricionais e problemas digestivos. Cada pet possui necessidades específicas de acordo com idade, porte, peso e condições de saúde.
Também é importante lembrar que existem alimentos proibidos, como chocolate, uva, uva-passa, cebola, alho, abacate, xilitol e bebidas com cafeína, que podem colocar a vida do animal em risco. Antes de testar qualquer novidade, vale sempre tirar a dúvida com o médico-veterinário.
Meu conselho é que o carinho seja demonstrado com responsabilidade. Uma alimentação equilibrada continua sendo um dos pilares da saúde e da longevidade dos nossos companheiros. E quando quisermos oferecer um agrado, que ele seja seguro, nutritivo e pensado para as necessidades do pet, nunca apenas para satisfazer a vontade de dividir a nossa refeição.


