Por Carlos Sansão, médico veterinário
Janeiro Branco é tradicionalmente lembrado como o mês da conscientização sobre a saúde mental das pessoas, mas é fundamental ampliar esse olhar também para os nossos pets. Vejo no meu cotidiano os tutores atentos à alimentação, às vacinas e aos cuidados físicos, mas que muitas vezes não percebem que cães e gatos também sentem, sofrem, se frustram e desenvolvem alterações emocionais que impactam diretamente sua qualidade de vida.
Os animais são seres sencientes, dotados de sentidos aguçados e capacidade de interpretar o ambiente ao seu redor. Eles reagem a mudanças na rotina, à ausência prolongada do tutor, a conflitos familiares, ao excesso de estímulos ou, ao contrário, à falta deles. Barulhos intensos, solidão, ambientes estressantes e até o uso excessivo de telas pelos humanos podem influenciar negativamente o comportamento dos pets.
Muitos sinais de sofrimento emocional acabam sendo confundidos com “manias” ou traços de personalidade. Lambedura excessiva das patas, automutilação, latidos ou miados constantes, destruição de objetos, agressividade repentina, apatia, alterações no apetite e no sono são alguns exemplos de comportamentos que merecem atenção. Esses sinais não devem ser ignorados ou tratados apenas como desobediência.
O enriquecimento ambiental, passeios regulares, brincadeiras, interação social adequada e previsibilidade na rotina são medidas simples, mas extremamente eficazes para reduzir ansiedade e estresse. Como sempre digo, cachorro tem que ser cachorro e gato tem que ser gato! Precisam brincar, se divertir, ser e ter companhia.
Observe sempre o seu pet e se algo fuja do padrão, o ideal é buscar orientação profissional.
O Janeiro Branco nos convida a refletir sobre saúde mental de forma ampla e empática. Incluir os pets nessa conversa é reconhecer que bem-estar vai além do físico. Eles nos fazem tanto bem e precisam estar bem! Lembro sempre que abandono, exposição dos pets a ambientes estressantes, insalubres, de frio ou calor excessivos são considerados negligência, assim qualificados como maus-tratos


