Por Carlos Sansão, médico veterinário
Você já deve ter percebido um aumento significativo na procura por pets de suporte emocional. Diferente dos cães de serviço, de guia ou terapeura.Os animais de suporte e apoio emocional pode ser um cão, mas também um gato, uma calopsita, uma tartaruga, ratinho twister entre outros.
Eles não passam por treinamentos específicos para executar tarefas, nem têm livre acesso garantido a todos os ambientes públicos, salvo os casos laudados. Seu papel é afetivo, oferecendo conforto e estabilidade emocional ao tutor.
Justamente por isso, o processo de escolha do animal deve ser cuidadoso: temperamento equilibrado, comportamento sociável e rotina compatível são fatores essenciais para que a relação seja saudável para ambos.
Animais designados como suporte emocional, além de companheiros, desempenham um papel terapêutico, ainda que não substituam tratamentos psicológicos ou psiquiátricos. Estudos recentes mostram que a simples presença de um pet pode reduzir a frequência cardíaca, liberar hormônios relacionados ao prazer e diminuir a sensação de isolamento.
Como veterinário, vejo diariamente o quanto essa conexão transforma vidas. Já são vários os relatos de pacientes que retomaram a rotina, o sono ou aestabilidade emocional graças ao vínculo com seu animal.
Estes pets tem sido um acalanto na rotina acelerada, combinada com níveis crescentes de estresse, ansiedade e solidão, que tem adoecido as pessoas. Embora essa relação entre humanos e animais seja antiga, a ciência tem demonstrado com mais clareza oimpacto positivo que cães e gatos exercem sobre nossas emoções.
Um ponto importante é a responsabilidade, pois a decisão de adotar um animal de qualquer espécie deve levar em conta o compromisso de longo prazo.Mesmo quando o objetivo é obter suporte emocional, o bem-estar do pet precisa vir em primeiro lugar.
Animais também sentem ansiedade, estresse e frustração, e um tutor emocionalmente vulnerável pode, sem orientação, acabar sobrecarregando o animal.
Lembrando também que estes animais precisam estar com os protocolos vacinais em dia, com atestado comprovando saúde sanitária e ter acompanhamento médico veterinário sempre e principalmente se acompanharem seus tutores em diferentes locais.
Multidisciplinaridade no suporte emocional
Como médico veterinário eu recomendo sempre acompanhamento multidisciplinar. Psicólogos e psiquiatras podem avaliar corretamente a necessidade do suporte emocional, enquanto nós, veterinários, garantimos que o animal esteja saudável, sociável e apto para este suporte emocional.
Juntos, conseguimos proporcionar ao tutor uma experiência mais equilibrada e ao animal, uma vida de qualidade. Ao final, o que realmente sustenta essa relação é o afeto genuíno. Pets de suporte emocional não curam, mas oferecem benefícios e conforto que só quem já sentiu sabe descrever.
Em um mundo cada vez mais solitário e acelerado, talvez essa seja uma das formas mais bonitas de cuidado mútuo que podemos cultivar.
É muito lindo ver o que os animais podem fazer por nós seres humanos e nós temos a obrigação de retribuir de igual forma. Diria ainda que a nossa retribuição deveria ser sempre em dobro!


